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Auto-confiança e decepção, essa foi a nossa seleção!
Bruno Andrade
Cinco
partidas, quatro vitórias e uma derrota, essa foi a seleção
brasileira que realmente deixou a desejar. O questionamento se
Carlos Alberto Parreira errou ou não é conseqüência também de
um elenco muito confiante e sem espírito de luta. Em 1994 também
com o criticado Parreira fomos tetracampeões mesmo com uma equipe
regular, mas que contava com a garra e a determinação de
jogadores como Taffarel e Dunga, claramente mais do que apenas
jogadores e sim guerreiros. Por que em 2006 com um elenco
visivelmente superior ao de 12 anos atrás não tivemos sequer
vontade de vencer?
Faço parte
daquele grupo de pessoas que acreditam que treinador não perde o
jogo sozinho, ele apenas tem uma certa parcela de culpa assim como
qualquer jogador dentro de campo. Insistir em escalar Cafú e
Roberto Carlos, é erro técnico, mas por outro lado que culpa tem
o treinador se Ronaldinho Gaúcho, o maior jogador do Mundo
decepcionou, devido a baixo rendimento pessoal? Que culpa tiveram
Dida, Lucio, Juan e Zé Roberto que claramente honraram a camisa
da seleção brasileira, enquanto Roberto Carlos arrumava a meia
ou tirava um breve cochilo no gol francês? Ao analisar ponto a
ponto iremos perceber que todos têm uma parcela de culpa, todos!
Iniciar uma
partida decisiva com um elenco que sequer treinou junto, não
perceber erros claros e apenas mudar apos estar atrás do placar,
insistir na dupla "acabada" de laterais, diversos foram
os erros, erros que vinham acontecendo antes mesmo do inicio da
Copa do Mundo, como a de apenas jogar amistosos com equipes
inferiores ou até mesmo transformar a concentração brasileira
em um "Big Brother". Que eu saiba a palavra concentração
é originaria da palavra concentrar, como é possível se
concentrar com milhares de repórteres e festas, enfim, o chamado
“oba oba”?
Infelizmente
reclamar, criticar, não nos trará a felicidade de enfrentarmos a
seleção de Luis Felipe Scolari nas semifinais, mas também não
podemos nos omitir e ficarmos calados diante a uma geração que
claramente jogou no lixo o espectro e alma do povo brasileiro.
"Sou brasileiro e não desisto nunca!", certo? Como é
triste ver sorrisos dos jogadores logo apos o apito final, ou de
ouvir comentários esfarrapados do elenco nas entrevistas que se
sucederam apos o jogo. Uma pergunta: Vale a pena chorar por uma
seleção que sequer importa com nosso sofrimento?
Não usufruímos
salários milionários, não passeamos em carros luxuosos, muito
pelo contrario, a maior parte de nossa população vive na miséria
e credita a Copa do Mundo como a válvula de escape para a
tristeza e até mesmo para a fome, mas infelizmente os brasileiros
que foram a Alemanha representar esse povo tão sofrido não se
importou com a história e a realidade nacional. Decepção!
Tomará
eu que uma nova geração esteja chegando, que o novo comandante
seja realmente um comandante e não uma marionete da CBF e do
atual elenco. Quem sabe uma reformulação traga confiança e novo
animo para todos nós.
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