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Antero
Greco (ESPN Brasil)

Caro
Antero Greco, muito obrigado por ter aceite nosso convite, nós da
FutebolNews.com agradecemos a você por ter aceito o convite, nos
também já fizemos uma entrevista com o Milton Leite na qual ele
deve ter gostado muito e outra vez. Muito Obrigado.
1- Antero Greco, como foi seu inicio no jornalismo?
R - Comecei em 1974, como revisor do Estadão. Trabalhei
três anos de madrugada até que, em agosto de 1977, tive chance de
ir para a redação, cobrir férias de um colega. O pessoal gostou
do meu trabalho e fui convidado a ser repórter de Esportes. O
primeiro clube que eu acompanhei de perto foi o São Paulo e, por
sorte, já no começo de 1978 fiz minha primeira viagem
internacional. Fui para o Chile, onde São Paulo e Atlético jogaram
contra Palestino e Union Española, na fase inicial da Taça
Libertadores da América daquele ano.
2- Você sempre quis ser jornalista?
R - Quando era adolescente, pensei em ser jogador de
futebol, ou padre (estudei em colégio de padres) ou bombeiro. Mas,
com 16 anos, descobri que queria mesmo ser jornalista. O estalo
ocorreu quando eu passava férias na fazenda de uns tios. Eu lia uma
"Veja", que começava a circular naquela época, e pensei
comigo mesmo que ali estava minha profissão: ser jornalista. Eu já
gostava de escrever, ia bem em português na escola, adorava ler. Daí
em diante nunca mais tive dúvida alguma a respeito de minha vocação.
3- Como toda criança pensa em ser jogador de futebol, no
seu caso foi assim também?
R - Respondi lá em cima.... Eu sempre adorei futebol,
sempre joguei muito (o que não significa que joguei bem) e me
imaginei muitas vezes vestindo a camisa do meu time. E só a do time
que eu gosto, jamais a dos adversários.
4- Você além da ESPN trabalha em alguma outra emissora,
jornal ou rádio?
R - Trabalho no Estadão, onde iniciei carreira e onde
trabalhei de 1974 e 1994. De lá, fui para o Diário Popular (agora
Diário de São Paulo), de onde saí no final de 2000 para retornar
à velha casa.
5- Qual seu trabalho especifico na ESPN?
R - Eu faço comentário de jogos e participo, ao lado do
Paulo Soares, do Sporstscenter edição da noite. Também participo
de mesas-redondas e outros programas da tevê.
6- Todos sabemos da força da ESPN no esporte brasileiro,
como se sente trabalhando nela?
R - Acho formidável trabalhar na ESPN. Junto com o
Trajano, o diretor Julio Bartolo, a Cris e o Edu formamos o núcleo
inicial, no começo de 1994. O Trajano me convidou, em fevereiro de
94, para comentar jogos. Eu gostei da idéia, ele aprovou o trabalho
e a parceira felizmente vai bem até hoje. É uma honra e um prazer
trabalhar em um canal que tem imagem limpa, séria. Isso por
conta dos profissionais que ele acolhe.
7- O que você acha do futebol brasileiro atualmente?
R - Como sempre, nosso futebol tem muito talento e muita
desorganização. Ganhamos cinco Copas do Mundo porque realmente
somos bons nisso. Se dependesse da força e da colaboração dos
cartolas, acho que teríamos no máximo o título de 58, porque
aquela foi uma seleção bem organizada.
8- No seu ponto de vista, em quais aspectos temos que
mudar?
R - É preciso ter mais organização, mais respeito pelo
torcedor, pelos jogadores, mais transparência, menos oportunismo.
Enfim, mais honestidade e mais profissionalismo.
9- Você acha o futebol do exterior um exemplo para o do
Brasil?
R - Há coisas muito boas, na Europa, que valem a pena ser
copiadas. A organização dos torneios e dos clubes, por exemplo.
Eles são bons nisso, e não é à toa que têm finanças melhores
do que a da maioria dos nossos clubes. Os torneios de lá têm
credibilidade e são rentáveis (pelo menos a maioria)
10- Todos sabemos que o Brasil é a grande fábrica de
jogadores do Mundo, mais qual é esse motivo que faz a maioria
deixar o Brasil?
R - Dinheiro. O jogador sai em busca de melhores oportunidades
para faturar, para receber em moeda forte e para ter a vida mansa,
assim que parar de jogar futebol. Acho uma opção válida, porque
todo mundo tem direito de subir na vida, de planejar um futuro mais
tranqüilo.
11- Para você qual Copa do Mundo lhe marcou mais?
R - Para mim, foi a de 1982. Porque foi a primeira que eu
cobri de perto, porque a seleção brasileira, com o Telê Santana
como técnico, era maravilhosa. E porque, no fim, mesmo frustrado
com a derrota do Brasil, a Itália foi campeã. Como filho de
italianos, fiquei emocionado de ver a Azzurra festejar o título.
12- Um gol que marcou sua vida de jornalista?
R - Foram vários, mas tem dois que eu guardo com carinho.
Em 83, dei o furo da venda do Sócrates do Corinthians para a
Fiorentina. Ninguém acreditava, mas foi uma negociação rápida e
surpreendente. Outra, em 85, foi quando escrevi, para um jornal da
Itália (o Corriere dello Sport) que o Falcão, na época ídolo da
Roma, seria operado do joelho. Eu era correspondente desse jornal e
eles vibraram, em Roma, com a minha informação.
13- Uma pessoa que você admira muito no Mundo Esportivo?
R - Tenho muitos ídolos, como Pelé, Gilmar, Zito, Djalma
Santos, Ademir da Guia, Pepe. Essas pessoas me emocionam até hoje,
quando as vejo. São meus modelos, aqueles que me fizeram gostar do
futebol. Quanto a dirigentes, infelizmente, hoje em dia nenhum.
Admirava o Nelson Duque, antigo presidente do Palmeiras, e Antonio
Leme Galvão, ex-presidente do São Paulo. Ambos,
infelizmente, já morreram.
14- Sabemos que Ronaldo é um Fenômeno, o que você acha?
R - Acho o Ronaldo um jogador muito bom, ótimo mesmo. Tem
muita fama, hoje
em dia, porque faltam grandes ídolos no futebol. E também porque há,
por trás
dele, uma impecável máquina de marketing. Ele também sabe
aproveitar a fama.
Não o considero um deus, como Garrincha, Pelé, Maradona, mas é
bom de bola.
15- Se puder nos responder. Qual o seu time de coração?
R - Prefiro pular essa, porque muita gente confunde. Claro
que tenho um time para o qual torço, com o qual me identifico. Mas,
como costumo dizer sempre, graças a Deus nunca precisei de nada
desse clube, porém não quero que pensem que fico ligado com o que
acontece por lá. Desculpe.
16- O São Paulo tem um bom plantel, o Corinthians, Santos,
Flamengo, Vasco, Cruzeiro e Grêmio também qual o time que você
acha que será o melhor deste semestre?
R - Se mantiver a regularidade, o Santos pode se dar muito bem
na Libertadores da América, o Corinthians igualmente (e no Paulistão).
O São Paulo tem tudo para ganhar o Paulistão e a Copa do Brasil. O
Cruzeiro está se reforçando, mas anda instável, assim como o
Luxemburgo, seu treinador.
17- O campeão da Libertadores será Brasileiro?
R - Acho que sim, sinceramente. Porque os sul-americanos
estão muito fracos. Minha aposta fica em Corinthians, Santos e,
claro, o Grêmio.
18- O que você acha da nova forma que irá ser disputado o
Brasileiro?
R - Sou a favor dos pontos corridos, sempre. Acho a fórmula
de todos contra todos, em turno e returno, a mais sensata para
apurar um campeão. Não gosto dessas fórmulas malucas que temos
aqui, que acabam tirando um São Paulo fora, depois de ter feito
mais de 10 pontos do que o Santos.
19- Além do futebol, qual o esporte lhe encanta também?
R - Sempre gostei muito do atletismo. Acho bacana o
sujeito superar marcas, e
geral correndo sozinho.
20- Qual o seu ídolo no futebol e um ídolo no jornalismo?
R - No futebol, como te falei, eu colocaria três - Ademir
da Guia, Pelé e Djalma Santos. No jornalismo, tem muita gente que
admiro, como o Luiz Carlos Ramos (meu primeiro mestre no Estadão),
o Salim (que trabalha na ESPN), o Alfredo Teixeira (da Globo), o Zé
Maria de Aquino (hoje no Sportv), o nosso Trajano, o Sandro Vaia (do
Estadão) e vários outros com os quais aprendi muito.
21- Parreira e Zagallo foram as melhores opções para a
Seleção?
R - Neste momento, sim. Principalmente o Parreira, que
renasceu ao dirigir o Corinthians. Até porque faltam opções. Para
o futuro, espero ver o Tite como treinador da seleção. Pena que o
Luxemburgo tenha perdido a chance.
22- O que você acha do novo ministro do Esporte?
R - Aguardo com ansiedade o trabalho dele, como de resto
do governo Lula. Espero que ele dê atenção para o esporte como
educação (como pretende mesmo fazer), mas não esqueça dos
outros. E, quem sabe, ajude a moralizar o futebol. Mas, quanto a
este aspecto, sinceramente não sou muito otimista.
23- Você acha que em 2004 conseguiremos o grande título
olímpico de futebol?
R - Será difícil, mas podemos conquistar. A geração é
boa, mas será preciso trabalhar muito bem. O início, com o torneio
do Catar, não foi entusiasmaste.
24- Sobre o Romário, no seu ponto de vista o futebol para
ele já virou passado?
R - Quase. O Romário é excelente personagem do futebol,
um dos maiores goleadores, mas está em fase descendente, sem dúvida.
Ele ainda jogará por mais algum tempo, porque é excepcional, mas o
físico já se ressente da idade.
25- Esse "Super Vasco" no seu modo de ver, irá
se dar bem neste ano?
R - O Vasco para mim é uma incógnita. Não acho que seja
um time maravilhoso, forte, como algum tempo atrás. O considero,
hoje, uma equipe normal. Mas, aqui entre nós, não há nenhum
supertime no futebol brasileiro, na atualidade.
26- Corinthians, Santos, Grêmio ou Paysandu quem irá se
dar melhor na Libertadores?
R - Aposto nos três primeiros. O Paysandu, para mim, será
surpresa, se chegar às fases decisivas.
27- O que você acha desta nova geração de garotos?
Robinho, Gil, Kaká, Diego, Kléber, Dagoberto?
R - É o sinal de que nosso poder de revelar jogadores é
incomum. O Brasil é abençoado no futebol justamente pela
capacidade que tem de mostrar caras novas, sempre, com velocidade e
qualidade.
28- Maradona foi melhor que Garrincha?
R - Ambos foram deuses da bola. E não há como comparar
deuses: ambos encantaram e ainda encantam o mundo. São ídolos que
não passam de moda.
29- Um jogo que marcou sua vida como torcedor?
R - Brasil 4 x Itália 1, em 1970. Uma alegria enorme. Itália
3 x Brasil 2, em 1982, uma grande tristeza, porque aquela seleção
do Telê era sensacional.
30- O melhor jogador brasileiro em exercício no Brasil?
R - Kaká começou o ano muito bem. Ele é jovem e tem
tudo para crescer mais.
31- Qual o grande favorito para o título do Paulista e do
Carioca?
R - Para o Paulista, aposto em São Paulo ou Corinthians.
No Rio, acho que vai dar Flamengo. O Vasco corre por fora.
32- Se possível nos explicar o porque desta crise no
futebol carioca?
R - Porque os clubes descuidaram da formação de
talentos, porque não houve seriedade no controle de gastos, porque
os cartolas são ultrapassados. Isso fez com que o futebol carioca,
tradicionalmente forte e criativo, se transformasse numa caricatura.
Uma pena, porque o torcedor não merece.
33- Uma frase para encerrar a entrevista sobre o futebol
brasilero?
R - Somos ainda os mais fortes, só nos falta organização,
honestidade e seriedade. Com essas características, associadas à técnica,
seriam quase imbatíveis. Mas...
Entrevista
realizada dia 8/2
Bruno Andrade (FutebolNews.com)
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