Itália se consagra com o bi
Na Copa do Mundo
da França, a Itália chegaria ao bicampeonato num torneio marcado
pela guerra que se aproximava.
A escolha da França como sede do torneio foi a consagração de
Jules Rimet, o francês que presidia a Fifa. Cinco estádios foram
construídos para o eventos.
Pela
primeira vez, o campeão da Copa anterior e a seleção da casa
tinham o direito assegurado de participar, sendo dispensados da
disputa das eliminatórias.
A principal ausência da Copa foi a seleção espanhola,em virtude
da guerra civil que assolava o país. A brilhante geração
derrotada pela Itália em 34 não teve a sua segunda chance.
O Brasil mostrou sua primeira grande seleção, que só perderia
nas semifinais diante dos italianos, quando jogou sem Leônidas, o
melhor jogador do Mundial.
A maior surpresa da primeira rodada foi a eliminação da
fortíssima Alemanha. Mesmo reforçada por jogadores austríacos -
o país havia side anexado por Hitler-, a Alemanha perdeu para a
Suíça por 4 a 2.
A Hungria chegou à final com seu bonito futebol ofensivo (13 gols
em 3 jogos), mas decepcionou na decisão contra os italianos.
Com 4 a 2 no placar, a Itália se consagrou como a melhor
seleção dos anos pioneiros das Copas.

1) Itália 2) Hungria
3) Brasil 4) Suécia 5) Tchecoslováquia 6) Suíça 7) Cuba
8) França 9) Romênia 10)Alemanha 11)Polônia 12)Noruega
13)Bélgica 14)Holanda 15)Índias Holandesas

Final Itália 4 x 2 Hungria
Decisão do
terceiro lugar 19/6 Brasil 4 x 2 Suécia
Semifinais 16/6
Itália 2 x 1 Brasil Hungria 5 x 1 Suécia
Quartas-de-final
12/6 Suécia 8 x 0 Cuba Itália 3 x 1 França Hungria 2 x 0 Suíça
Brasil 1 x 1 Tchecoslováquia - Houve empate sem gols na prorrogação forçando
a realização de um jogo-extra
14/6 - jogo-extra Brasil 2 x 1
Tchecoslováquia
Oitavas-de-final 4/6 Alemanha 1 x 1 Suíça -
Também houve empate em 1 a 1 na prorrogação forçando a realização de um
jogo-extra
5/6 Brasil 4 x 4 Polônia - Na prorrogação, o Brasilei
venceu por 2 a 1 França 3 x 1 Bélgica Tchecoslováquia 3 x 0 Holanda
Cuba 2 x 2 Romênia - Houve empate em 1 a 1 na prorrogação forçando a
realização de um jogo-extra Itália 1 x 1 Noruega - Na prorrogação, a Itália
venceu por 1 a 0 Hungria 6 x 0 Índias Holandesas
9/6 - jogos-extras
Suíça 4 x 2 Alemanha Cuba 2 x 1 Romênia

Copa Apaixona os brasileiros
Pela primeira vez, o Brasil pôde
contar com sua equipe principal em uma Copa. Profissionais e
amadores haviam feito as pazes em 1937.
O técnico Adhemar Pimenta deu-se ao luxo de contar com duas
equipes, a azul e a branca, talentosas e rivais.
Também pela primeira vez, um Mundial mobilizou os brasileiros,
que ouviam pelo rádio, em casa e nas ruas, a narração de
Gagliano Neto.
Na estréia em Estrasburgo, o time azul derrotou a Polônia por 6
a 5, com quatro gols de Leônidas.
O Brasil vencia facilmente, por 3 a 1, mas permitiu o empate em 4
a 4. Na prorogação, Leônidas decidiu o jogo.
Nas quartas-de-finais, foram necessários dois jogos em Bordeaux
para bater a Tchecoslováquia. No primeiro, 1 a 1.
No jogo-desempate - não havia decisão por penâltis - Brasil 2 a
1. A cartada inteligente de Pimenta foi escalar a equipe branca -
reforçada por Leônidas - no lugar da azul.
Cansados, os tchecos jogaram sem o legendário goleiro Planicka,
que fraturou um braço em um choque com Perácio, na partida
anterior.
Para a semifinal com a Itália, em Marselha, o Brasil tinha um
problema grave: Leônidas estava contundido.
O técnico descartou escalar seu reserva, Niginho - que atuara na
Lazio, de Roma, e também tinha a nacionalidade italiana. Os
brasileiros temiam um protesto do adversário.
A Itália venceu a partida por 2 a 1, graças a um penalti
controverso, que motivou um inutil protesto dos brasileiros,
pedindo a anulação do jogo.
Piola deu um pontapé em Domingos, com a bola fora de jogo. O
zagueiro revidou e o juiz suiço Wuthrich deu penalti.
Mais tarde, Adhemar Pimenta foi injustamente acusado de ter
poupado Leonidas para a final.
Na decisão do terceiro lugar, Leonidas, apelidado pelos franceses
"Homem de borracha" marcou dois gols nos 4 a 2 sobre a
Suécia, consagrando-se como artilheiro e melhor jogador da Copa.
Titulares Válter (goleiro) Domingos da
Guia (zagueiro) Machado (zagueiro) Procópio (médio) Martim (médio)
Afonsinho (médio) Lopes (atacante) Romeu (atacante) Leônidas
(atacante) Perácio (atacante) Patesko (atacante)
Reservas
Batatais (goleiro) Argemiro (médio) Brandão (médio) Brito
(médio) Hércules (atacante) Jaú (zagueiro) Luizinho (atacante)
Nariz (beque) Niginho (atacante) Roberto (atacante) Tim
(atacante)
Técnico: Adhemar Pimenta

Foi um presente do céu "Era uma
certeza para todos os integrantes da seleção que o jogo contra os brasileiros
nos colocaria no rumo da Copa. Nosso mister era impor velocidade, para
extenuar os brasileiros, cansados de duas partidas contra os tchecos. Foi
como um presente dos céus saber que Leônidas não jogaria. Verdadeiro artista,
malabarista da bola, era o jogador que surpreendia a todos. Posso dizer que
lamento não ter ficado ao lado desse maravilhoso jogador, mas sei que a história
da partida seria diferente com ele no gramado".
Depoimento de Alfredo
Foni, zagueiro da Itália, após vencer o Brasil

"O jogo estava paralisado. Piola vinha na corrida e me atingiu
com um pontapé, que eu revidei. Admitiria que o juiz fosse rigoroso comigo. Mas
ele não podia prejudicar o time com a partida paralisada"
De Domingos da
Guia, zagueiro do Brasil, descrevendo o lance do pênalti na semifinal contra a
Itália, que eliminou o Brasil da Copa.

Pé descalço Choveu no jogo Brasil 6
x 5 Polônia. O barro era tanto que Leônidas tirou as chuteiras para jogar
descalço. O árbitro obrigou o brasileiro a calçá-las.
Equipe descansada
A Itália era a única equipe do Mundial a ter um avião. As demais seleções se
desgastavam percorrendo de trem as distâncias entre as cidades.
Boa
notícia Hitler queria uma conquista da seleção alemã. Depois de empatar na
estréia com a Suíça em 1 a 1, os alemães abriram 2 a 0 no jogo desempate. Um
telegrama de boas notícias foi enviado a Hitler. No segundo tempo os suíços fizeram 4 a 2.

 
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