De novo, o melhor não ganha
Depois de 16
anos, a Copa do Mundo voltou a um país europeu em 1954. A Suiça
foi a sede escolhida para realizar aquele que seria "o
Mundial das goleadas".
Os turcos conseguiram uma polêmica classificação para a Copa.
Depois do placar de 2 a 2 no jogo-desempate com a Espanha, um
sorteio definiu a vaga deixando os fortes espanhóis de fora.
Houve
uma enxurrada de gols: Hungria 8 x 3 Alemanha Ocidental,
Inglaterra 4 x 4 Bélgica, Áustria 7 x 5 Suíça. Média: 5,4
gols por jogo.
Campeão olímpico em 1952, o técnico Húngaro Gusztav Sebes
criou um sistema revolucionário, no qual os atacantes não tinham
posição fixa.
A base de sua equipe era o Honved, time do exército húngaro onde
brilhavam Ferenc Puskas e Sandor Kocsis.
Depois de bater Brasil e Uruguai pelo mesmo placar, 4 a 2, a
Hungria foi para a final contra a Alemanha. Na primeira fase o
time húngaro tinha vencido os alemães por 8 a 3.
Na final, em Berna, muita chuva. A Hungria fez dois gols em 8
minutos, mas permitiu a virada.
Com a vitória de 3 a 2, a Alemanha Ocidental repetia o feito do
Uruguai em 50: tirar o título do melhor time da Copa.

1) Alemanha 2)
Hungria 3) Áustria 4) Uruguai 5) Suíça 6) Brasil 7)
Inglaterra 8) Iugoslávia 9) França 10)Turquia 11)Itália
12)Bélgica 13)México 14)Tchecoslováquia 15)Escócia 16)Coréia
do Sul

Final 4/7
Alemanha 3 x 2 Hungria
Decisão do terceiro lugar 3/7 Áustria
3 x 1 Uruguai
Semifinais 30/6 Alemanha 6 x 1 Áustria Hungria
2 x 2 Uruguai - Na prorrogação, a Hungria venceu por 2 a 0
Quartas-de-final 26/6 Áustria 7 x 5 Suíça Uruguai 4 x 2
Inglaterra
27/6 Hungria 4 x 2 Brasil Alemanha 2 x 0 Iugoslávia
Oitavas-de-final Grupo 1 16/6 Brasil 5 x 0 México
Iugoslávia 1 x 0 França
19/6 Brasil 1 x 1 Iugoslávia França
3 x 2 México
Brasil e Iugoslávia se classificaram
Grupo 2
17/6 Hungria 9 x 0 Coréia do Sul Alemanha 4 x 1 Turquia
20/6
Hungria 8 x 3 Alemanha Turquia 7 x 0 Coréia do Sul
23/6 -
jogo-extra para definir o segundo classificado Alemanha 7 x 2 Turquia
Hunrgia e Alemanha se classificaram
Grupo 3 16/6 Áustria
1 x 0 Escócia Uruguai 2 x 0 Tchecoslováquia
19/6 Áustria 5 x 0
Tchecoslováquia Uruguai 7 x 0 Escócia
Uruguai e Áustria se
classificaram
Grupo 4 17/6 Inglaterra 4 x 4 Bélgica Suíça 2
x 1 Itália
20/6 Inglaterra 2 x 0 Suíça Itália 4 x 1 Bélgica
23/6 - jogo-extra para definir o segundo classificado Suíça 4 x 1
Itália
Inglaterra e Suíça se classificaram

Trauma de 50 prejudica a seleção
A seleção brasileira chegou
pessimista à Suíça para a Copa de 54. O trauma da derrota no
Maracanã ainda não tinha sido superado.
Criticado por não ter convocado Zizinho, o técnico Zezé Moreira
tinha em mãos uma boa equipe, com Djalma Santos, Didi, Nílton
Santos, Julinho e outros. Faltava, no entanto, o otimismo.
Outro problema era a desoganização. Os brasileiros não sabiam
que o 1 a 1 com os iugoslavos, na segunda partida, garantia a vaga
para as quartas-de-final. Desgastaram-se inutilmente na busca da
vitória.
O sorteio colocou o time contra a Hungria no jogo seguinte. Os
brasileiros temiam enfrentar o "bicho-papão" da Copa
Os húngaros, ao contrário, esbanjavam otimismo. "Venceremos
o Brasil e seremos os novos campeões do mundo", previa o
artilheiro Kocsis.
Nervosos, os brasileiros perdiam por 2 a 0 com 7min de jogo.
Reagiram, mas o placar final foi de 4 a 2.
O juiz inglês Arthur Ellis foi o bode expiatório. Inconformados,
os brasileiros brigaram com os húngaros em campo.
Puskas, que não jogou, acertou uma garrafada na testa de
Pinheiro. Até jornalistas se excederam na chamada "batalha
de Berna".
A derrota deu corda a alguns "teóricos" da época, que
atrinuíam os fracassos, nas Copas à "inferioridade da raça
brasileiro". Teoria desmentida quatro anos depois.
Titulares Castilho (goleiro) Djalma
Santos (zagueiro) Nilton Santos (zagueiro) Brandãozinho (meio-campo)
Pinheiro (zagueiro) Bauer (zagueiro) Julinho (atacante) Didi
(meio-campo) Baltazr (atacante) Pinga (atacante) Rodrigues
(atacante)
Reservas Alfredo (zagueiro) Cabeção (goleiro)
Dequinha (meio-campo) Ely (meio-campo) Humberto (atacante) Índio
(atacante) Maurinho (atacante) Mauro (zagueiro) Paulinho (zagueiro)
Rubens (atacante) Veludo (goleiro)
Técnico: Zezé Moreira

Era um time covarde "Podem
censurar-me, mas penso que nossa seleção perdeu a Copa porque desprezou a
competição. Eu não conseguia sentir na esquadra o mesmo fervor da Olimpíada,
dois anos antes. Para nós, a medalha na Olimpíada foi mais importante. Com a
vitória de oito gols contra os alemães, tivemos alguns dias em clima de festa.
Depois, o jogo contra os brasileiros. Tenho vergonha desse jogo. Lembro apenas
da violência, das brigas. Esperava outra atitude dos brasileiros. Era um
time nervoso, covarde. Fizemos quatro gols nos momentos em que o jogo percorreu
os rumos da normalidade. Éramos melhores. Ganharíamos deles quantas vezes
precisássemos."
Depoimento de Sandor Kocsis, atacante húngaro que marcou
dois gols contra o Brasil.

"Não me
interesso pelo time dos outros" Zezé Moreira, técnico do Brasil, sobre a
seleção húngara, que acabou eliminando o Brasil da Copa.

Perdidos na Suíça Os jogadores da
Coréia do Sul não falavam uma palavra em idiomas europeus e sempre se perdiam,
sendo levados para o hotel por policiais. No campo, também não se encontravam:
tomaram 9 a 0 da Hungria e 7 a 0 da Turquia.
Sob Suspeita Alguns
jogadores da seleção alemã passaram semanas em uma clínica de repouso depois do
Mundial. Desde então, há suspeitas de que o time jogou a Copa dopado.

 
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