Juizes
erram, ingleses vencem
A Inglaterra preparou com cuidado
sua Copa, tendo o título como prioridade absoluta. Tudo para que
os "inventores do futebol" ganhassem, enfim, um Mundial.
O título veio, mas o campeonato ficou na história como o mais
violento. Os três jogos da Inglaterra foram marcados pela
benevolência dos árbitros com os zagueiros locais.
Nas quartas-de-final, a coisa piorou. A Inglaterra venceu a
Argentina por 1 a 0. Rattín quis reclamar da violência com o
árbitro alemão Rudolf Kreitlein e pediu um intérprete. O juiz
não entendeu nada e expulsou o argentino.
Uma
vitória de 2 a 1 sobre Portugal nas semifinais classificou os
ingleses para a final em Wembley contra a Alemanha Ocidental,
outra seleção tida por muitos como beneficiada pelas
arbitragens.
No tempo normal, 2 a 2. Na prorrogação, o lance mais grotesco da
Copa: o gol fantasma do atacante Hurst.
O inglês chutou cruzado da direita, a bola bateu no travessão do
goleiro Tillkowski e quicou no chão, quase meio metro longe do
gol. O árbitro Gottfried Dienst (suíço) deu o gol que não
houve.
A Inglaterra ainda marcaria o quarto gol, novamente de Hurst, mas
a impressão de um título "arranjado" estava
eternizada.

1) Inglaterra 2) Alemanha 3) Portugal 4) URSS
5) Argentina 6) Hungria 7) Uruguai 8) Coréia do Norte 9)
Itália 10)Espanha 11)Brasil 12)México 13)França 14)Chile
15)Bulgária 16)Suíça

Final 30/7 Inglaterra 2 x 2 Alemanha - Na prorrogação, a
Inglaterra venceu por 2 a 0
Decisão do terceiro lugar 28/7
Portugal 2 x 1 URSS
Semifinais 25/7 Alemanha 2 x 1 URSS
26/7 Inglaterra 2 x 1 Portugal
Quartas-de-final 23/7
Inglaterra 1 x 0 Argentina Alemanha 4 x 0 Uruguai URSS 2 x 1 Hungria
Portugal 5 x 3 Coréia do Norte
Oitavas-de-final Grupo 1
11/7 Inglaterra 0 x 0 Uruguai
13/7 França 1 x 1 México
15/7 Uruguai 2 x 1 França
16/7 Inglaterra 2 x 0 México
19/7 Uruguai 0 x 0 México
20/7 Inglaterra 2 x 0 França
Inglaterra e México se classificaram
Grupo 2 12/7
Alemanha 5 x 0 Suíça
13/7 Argentina 2 x 1 Espanha
15/7
Espanha 2 x 1 Suíça
16/7 Alemanha 0 x 0 Argentina
19/7
Argentina 2 x 0 Suíça
20/7 Alemanha 2 x 1 Espanha
Alemanha e Argentina se classificaram
Grupo 3 12/7
Brasil 2 x 0 Bulgária
13/7 Portugal 3 x 1 Hungria
15/7
Hungria 3 x 1 Brasil
16/7 Portugal 3 x 0 Bulgária
19/7
Portugal 3 x 1 Brasil
20/7 Hungria 3 x 1 Bulgária
Portugal e Hungria se classificaram
Grupo 4 12/7 URSS 3
x 0 Coréia do Norte
13/7 Itália 2 x 0 Chile
15/7 Coréia
do Norte 1 x 1 Chile
16/7 URSS 1 x 0 Itália
19/7 Coréia
do Norte 1 x 0 Itália
20/7 URSS 2 x 1 Chile
URSS e Coréia do
Norte se classificaram

Desorganização impediu o tri
Em dúvida entre pôr em campo a
geração bicampeã, que em 62 era veterana, e dar a chance a
jogadores mais jovens, Feola optou pelos dois.
Foram convocados 47 jogadores. Os 22 só foram definidos duas
semanas antes da estréia.
Contra a Bulgária em Liverpool, o Brasil já não atuou bem,
vencendo por 2 a 0 com dois gols de falta, de Pelé e Garrincha.
No jogo seguinte, contra a Hungria, o time era uma estranha mescla
dos bicampeões de 58/62 com os futuros campeões de 70: tinha
Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Garrincha, Gérson, Tostão e
Jairzinho. Sem Pelé - machucado -, Hungria 3 a 1.
Para o jogo contra Portugal, Feola trocou nove jogadores, mantendo
apenas Lima e Jairzinho. A mudança desesperada não deu certo.
Portugal venceu por 3 a 1 - um gol de Simões, em falha grotesca
de Manga, e dois de Eusébio.
No Rio, foi feito o "enterro" de Feola, com um caixãocom
a frase: "Viva os Tri!".
Titulares Gilmar (goleiro) Djalma Santos (zagueiro)
Paulo Henrique (zagueiro) Bellini (zagueiro) Denílson (zagueiro)
Altair (meio-campo) Lima (meio-campo) Alcindo (atacante)
Garrincha (atacante) Pelé (atacante) Jairzinho(atacante)
Reservas Brito (zagueiro) Edu (atacante) Fidélis (zagueiro)
Gérson (meio-campo) Manga (goleiro) Oralando (zagueiro) Paraná
(atacante) Rildo (zagueiro) Silva (atacante) Tostão (atacante)
Zito (meio-campo)
Técnico: Vicente Feola

Só queria um tradutor "Não
entendíamos o que o árbitro falava com os jogadores inglese. A impressão que
dava é de que não estava advertindo os faltosos. O jogo violento corria solto.
Eu fui expulso porque estaria contestando as marcações do árbitro, mas eu
apenas estava pedindo um intérprete para poder me comunicar com ele. Depois
da expulsão, eu queria ver o resto do jogo das cadeiras. Sentei no tapete
vermelho ao redor da tribuna da família real. Não quis ser desrespeitoso, a
rainha não estava lá. Mas os espectadores não gostaram. Jogaram coisas em mim.
Fui então para os vestiários, com latas de cerveja sendo atiradas. E eu não
gosto de cerveja inglesa"
Depoimento de Ubaldo Antonio Rattín, jogador
argentino expulso na partida vencida pela Inglaterra por 1 a 0; esse episódio
incentivou a Fifa a adotar cartões amarelo e vermelho.

"Durmo
tranquilo. Sei que a bola entrou." De Gottfried
Dienst, árbitro que validou o gol inglês na final, quando a bola não cruzou a
linha do gol.

Indicação
ilustre
Portugal levou à Inglaterra o craque Eusebio, artilheiro da Copa
com nove gols. Ele marcou dois gols na vitória sobre o Brasil.
Por ironia, quem primeiro reconheceu o talento de Eusebio foi o
brasileiro Bauer, num amistoso em Moçambique.
Por sua indicação, Eusebio foi contratado pelo Benfica
Partida perfeita
A primeira etapa entre Hungria x Brasil (3-1) foi descrita por
Robert Vergne, famoso cronista do jornal L'Equipe, como "a
partida perfeita, como se pode esperar para ver uma assim a cada
dez anos".

 
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